A Psicologia Transpessoal
Carlos Antonio Fragoso Guimarães1
Mestrando em Sociologia PPGS - UFPB
De uma forma mais ou menos resumida, pode-se definir a Psicologia Transpessoal como uma
abordagem que tem como principal objetivo tratar o homem como um ser integral, ou seja, um
ente complexo que engloba aspectos biológicos, mentais, sociais, ecológicos e, muito em
especial, espirituais, o que amplia grandemente o atual campo da pesquisa em psicologia.
A Psicologia Transpessoal tenta compor um quadro abrangente das manifestações da
percepção humana, apoiando-se tanto na ciência ocidental quanto nas várias tradições
e concepções de homem de vários sistemas filosóficos, muitos dos quais de enorme
interesse psicológico, não ocidentais. Isto implica na adoção, pelos principais
teóricos transpessoais, de uma visão de homem que adota, ao lado de uma firme ênfase
científica, baseada nos últimos progressos da ciência ocidental, notadamente na Física
Moderna, as chamadas dimensões transcendentes e/ou espirituais da psiqué (Maslow, 1964,
1968, 1969; Fadiman & Frager, 1986; Grof, 1988).
Foi em meados da década de sessenta, basicamente nos Estados Unidos, quando vários
fatores levaram a Psicologia Humanista a se assentar definitivamente como uma nova
abordagem igualmente válida ante às visões de homem do Behaviorismo e da Psicanálise,
que alguns psicólogos e psiquiatras - muitos dos quais haviam participado do
desenvolvimento e delineação da Psicologia Humanista encontraram uma área e um
clima intelectual propício para o estudo de uma série de fenômenos psicológicos que,
até então, eram negligenciados nos meios mais tradicionais, ou entendidos como sintomas
de sérios desajustes emocionais. Entre estes estavam os chamados estados não ordinários
de consciência, com fortes características espirituais, que algumas pessoas
apresentavam, quer ocorressem espontaneamente, quer surgissem num contexto
psicoterapêutico, quer ocorressem como a resultante de usos de substâncias várias, como
drogas, etc. Alguns destes, até então considerados, estados anômalos de
consciência traziam uma tal corrente de dados que, simplesmente, não se encaixavam
adequadamente em nenhuma teoria da personalidade vigente, com a brilhante exceção das
teorias de Carl Gustav Jung e Roberto Assagioli, que, à época, eram muito pouco aceitas,
conhecidas ou adequadamente divulgadas. De tal forma cresceu o número de observações a
respeito destes fenômenos que muitos renomados pesquisadores, dentre os quais se
destacaram Abraham Maslow, Antony Sutich e Stanislav Grof, empreenderam a tarefa de dar
corpo ao que parecia ser o surgimento de uma nova abordagem, ou uma nova Força em
Psicologia, no dizer de Maslow, em uma nova área de estudo e avaliação do que parecia
ser, em muitos casos, amostras de fascinantes e bem documentadas experiências de
extensão ou expansão da percepção e da identidade de sujeitos, indo muito além do que
consideramos os limites de nossa pele, ou de nosso ego: uma dimensão
Transpessoal de consciência.
Segundo Stanislav Grof (Grof, 1988), esta nova força surgia principalmente dentro do
círculo interno da Psicologia Humanística, porém, esta, que considerava o
auto-crescimento e a auto-atualização os limites de desenvolvimento humano, acabava por
restringir, em parte, os novos insights que surgiam diretamente das pesquisas realizadas
pelos psicólogos e psiquiatras.:
(...) A nova ênfase residia no reconhecimento da espiritualidade e das necessidades transcendentais como aspectos intrínsecos da natureza humana e no direito de cada indivíduo escolher ou mudar seu caminho. Muitos renomados psicólogos humanistas mostraram crescente interesse por várias áreas, antes negligenciadas, e por tópicos de psicologia como experiências místicas, transcendência, êxtase, consciência cósmica, teoria e prática da meditação ou sinergia inter-espécie e interidividual (Grof, 1988, p. 138).
De fato, esta tendência de desenvolvimento de uma psicologia além do ego era tão clara, que Maslow chegou a escrever:
Devo também dizer que considero a Psicologia Humanista, ou Terceira Força em Psicologia, apenas transitória, uma preparação para uma Quarta Força ainda mais elevada, transpessoal, trans-humana, centrada mais no cosmos que nas necessidades e interesses humanos, indo além da identidade, da individuação e quejandos (...) (Maslow, 1968, p. 12)
A proposta desta Quarta Força foi logo divulgada em seminários, artigos e
correspondências entre vários integrantes da psicologia humanística e que logo
encontrou destacados defensores que, espontaneamente, formaram um comitê para a
organização de uma revista dedica ao tema do que eles chamavam, à esta época, de
Psicologia Trans-Humanística. Das várias discussões destes membros, que incluíam além
de Sutich e Maslow, nomes como James Fadiman, Michel Murphy, Miles Vich e, logo depois,
Viktor Frankl e Stanislav Grof, surgiu e foi adotado o título Psicologia Transpessoal
como sendo o mais característico para os objetivos desta nova Força. Logo depois, em
1969, é lançado o primeiro número do Journal of Transpersonal Psychology.
A temática da espiritualidade, ou da dimensão espiritual do homem, pois, caracteriza a
Psicologia Transpessoal como a primeira corrente contemporânea de Psicologia, em grande
parte apoiada nas pesquisas pioneiras de Jung, a se dedicar de forma sistemática às
dimensões subjetivas perceptuais que eram, até então, ignoradas, negadas ou reduzidas a
características ou sintomas de psicopatologia na área da sexualidade, pela Psicanálise,
por exemplo. O termo espiritual - fonte de estranhas reações por parte de
muitos psicólogos -, que foi tomado de empréstimo à Religião e à Filosofia, é usado
na falta de um outro termo técnico apropriado. Como disse o próprio Maslow, (...)
é quase impossível falar em vida espiritual (frase desagradável para um
cientista, em particular para os psicólogos) sem usar o vocabulário da religião
tradicional. Simplesmente não existe uma outra linguagem satisfatória. Uma excursão
pelos léxicos poderia demonstrá-lo com rapidez (Maslow, 1964, p.4). O fato é que
a Psicologia Transpessoal toma como fundamento o conceito de
auto-transcendência, que vai além do conceito fudamental próprio da
Psicologia Humanista, de auto-realização, embora o primeiro, na maior parte
das vezes, só se manifeste após um desenvolvimento satisfatório do segundo. Maslow,
especialmente, com a sua teoria das necessidades, deixa claro que as necessidades
últimas, mais sutis e, acima de tudo, mais plenamente superiores a que ele chamou
de metanecessidades -, só surgiriam mais uma vez como padrão geral, mas não como
uma regra fixa quando as necessidades mais básicas (fisiológicas, de segurança,
de amor e pertinência, de estima e de auto-atualização) estivessem razoavelmente
atendidas. Assim, dentro da abordagem da Psicoterapia Transpessoal, a capacidade humana
para a auto-transcendência que Maslow demonstrou magnificamente
ocorrer em muitas das mais famosas pessoas auto-realizadas que ele estudou é uma
etapa reconhecida e estimulada para o desenvolvimento saudável e integral do homem.
O estudo da Consciência Humana, e das suas várias manifestações em termos de
percepção, fora abandonado por um longo tempo pela Psicologia desde que a objetividade e
o positivismo do Behaviorismo em todos os pontos, muito próximos da metodologia
das ciências naturais superou as propostas de William James que é
igualmente considerado um dos precursores da Psicologia Transpessoal e dos
gestaltistas alemães. Freud, por sua vez, embora tenha deixado uma teoria que vai muito
além da visão mecanicista estrita dos behavioristas mais radicais e tenha atingido
insights realmente geniais sobre muitos dos mistérios que cercam a mente humana, criou
uma teoria da personalidade que está muito próxima de uma descrição
hidráulica do comportamento humano, sujeito à ações determinadas pela
dinâmica de forças inconscientes sobre o qual a pessoa, enquanto ego consciente, tem
pouco ou nenhum controle direto. Sendo assim, como nos fala Joseph Hart, o
behaviorismo e a psicanálise podem ser colocadas juntos já que estes enfoques concordam
basicamente em ver o homem como um reagente; quando muito, um reagente adaptável,
flexível. O psicólogo humanista, por sua vez, desenvolve seus postulados e procedimentos
a partir da convicção de que o homem é um ator; na sua melhor condição, um ator
criativo e auto-realizador (Hart, 1970, p. 580). Ou seja, com o Humanismo, com sua
ênfase na experiência consciente, o estudo da consciência começou a ser resgatado (na
verdade, ele sempre esteve presente, nas escolas européias, mais existencialistas). Já a
concepção Transpessoal admite claramente que existem outros estados de consciência que
vão além dos estados tradicionais de sono, sono profundo, vigília, delírio e outros.
Ela admite que existem estados supra-conscientes cuja promoção da saúde e
crescimento superariam em muito as do estado normal de vigília e as derivadas da análise
das faixas infra-conscientes descobertas por Freud (Boainain Júnior, 1996, p. 30).
Agora vejamos o que nos diz ainda Hart, um dos precursores da Abordagem Transpessoal
dentro da Abordagem Centrada no Cliente, de Rogers:
Agora consideremos as posições do homem que atingiu insigths transcendentes, radicalmente diferentes. Embora a maioria dos místicos não negue o limitado valor das idéias de homem como um reator ou ator pois que o homem se comporta assim em determinados níveis -, eles defendem que o homem plenamente realizado vai além tanto da reação quanto da ação para fundir-se com algo muito maior, com o mundo, numa forma, podemos dizer, ecológica. Na visão espiritual do místico, o homem é potencialmente um agente receptor ou transmissor de uma consciência mais elevada, da qual ele faz parte. Conforme o contexto em que a visão mística é descrita, este estado de transcendência fala do homem como um veículo de Deus, uma expressão da consciência cósmica, ou um ponto imerso no absoluto (Hart, 1970, p. 580).
Talvez o impacto destas palavras de Hart possam ser melhor digeridas se nos voltarmos para outras disciplinas e vermos que esta idéia de um algo transcendente é a mesma que está presente na Ecologia Profunda (Capra, 1986, 1997) e na Teoria Geral dos Sistemas, de von Bertalanffy e de Gregory Bateson, ou seja, na ciência de vanguarda. É igualmente presente em várias proposições da Física Moderna, em especial no Teorema de Bell (Capra, 1986; Grof, 1988) e na Teoria da Ordem implicada, de David Bohm (Bohm, 1992). O caso seria, pois, de entendermos o ser humano numa concepção holística e sistêmica, onde ele é, ao mesmo tempo, autônomo em alguns níveis e, ao mesmo tempo, parte integrante de outros níveis, mais elevados e sutis, como, por exemplo, a sociedade e a biosfera. Esta mesma concepção holística está presente nestas palavras de Andras Angyal, escritas em 1956:
Visto sob este ponto de vista [ o desenvolvimento integral do self ], o ser humano parece lutar basicamente para afirmar e expandir sua autodeterminação. É um ser autônomo, uma entidade que cresce por si mesma e que se faz valer de modo ativo, ao invés de reagir passivamente como um corpo físico aos impactos do mundo que o rodeia. Essa tendência fundamental expressa-se na luta da pessoa para consolidar e desenvolver seu autogoverno, em outras palavras, para exercer sua liberdade e organizar os itens relevantes de seu mundo a partir do centro de governo autônomo que é o seu self. Esta tendência que chamei de propensão para autonomia crescente expressa-se na espontaneidade, na auto-afirmação, no esforço pela liberdade e pelo domínio de si.
Vista sob outra perspectiva, a vida humana revela um padrão básico bastante diferente do acima descrito. Sob este ponto de vista, a pessoa parece buscar um lugar para si numa unidade maior, da qual ela se esforça para tornar-se parte. Na primeira tendência nós a vemos lutando pela centralização em seu mundo, tentando moldar e organizar os objetos e eventos de seu mundo, trazê-los para sua própria jurisdição e controle. Na segunda tendência, pelo contrário, a pessoa parece entregar-se voluntariamente à busca de um lar para si e tornar-se UMA PARTE ORGÂNICA DE ALGO QUE CONCEBE COMO MAIOR DO QUE ELA (sic). A unidade supra-individual da qual a pessoa se sente parte, ou deseja tornar-se parte, será formulada de diferentes formas, de acordo com sua formação cultural e com compreensão pessoal (Fadiman & Frager, 1986. pp. 283-284).
Estes dois níveis, o da auto-atualização e o da auto-transcendência, aparentemente
antagônicos são, na verdade, expressões de uma dualidade que forma uma unidade
dinâmica e complementar. Aliás, estes níveis parecem se repetir como uma constante na
natureza. A própria Física Quântica admite paradoxos semelhantes, e até ainda mais
estranhos, como é o caso do princípio da complementaridade onda-partícula de entes
atômicos, de Bohr. E é exatamente na área da Física Moderna que surge um grande apoio
e incentivo para o desenvolvimento da Psicologia Transpessoal (Capra, 1986; Grof, 1988;
Walsh & Vaughan, 1991). Desde que Albert Einstein publicou seus artigos sobre a Teoria
da Relatividade, em 1905, e que os estudos das características atômicas tomaram vulto,
nos anos vinte, que o quadro do mundo físico vem passando por uma mudança de
entendimento tão radical que os próprios fundamentos clássicos da ciência foram
abalados. Passamos a perceber que a realidade atômica é tão paradoxal, exigindo uma
nova forma de entender a natureza, que os teóricos mais importantes passaram a questionar
amplamente os pressupostos mais fundamentais das ciências e filosofias do Ocidente,
principalmente os que forma estabelecidos a partir de Bacon, Descartes e Newton (Capra,
1986; Grof, 1988; Walsh & Vaughan, 1991). As descrições tradicionais da realidade
física tendiam a projetar um mundo mecânico, atomístico, linear, rigidamente causal e
não- relativo. Embora esta visão de mundo ainda se mostrem como um modelo útil, dentro
de limites bem definidos, atualmente esta visão mecânica de mundo vem sendo
complementado por modelos mais sofisticados, que reconhecem uma realidade física
holística, interligada, dinâmica, relativista e, em certa medida, orgânica,
e que é inseparável da consciência do observador.
Embora nossa percepção e interpretação da realidade ainda tenham por parâmetros as
idéias newtonianas de um universo mecanicista idéia que é perpetuada pela
educação formal -, essas grandes descobertas em Física Teórica têm trazido uma luz
extremamente benéfica à filosofia da ciência e à Psicologia. O físico brasileiro
Mário Schenberg declarou que a Física e a Psicologia são aspectos diferentes de
uma mesma realidade, vista sob ângulos diferentes (Guimarães, 1996, p. 36), e que
o trabalho de Carl Gustav Jung um dos precursores mais importantes da Psicologia
Transpessoal tem influenciado a muitos físicos teóricos.
Grof considera Jung o primeiro real psicólogo moderno (Grof, 1988, p. 138), pois ele
desafiou a essência básica da maioria dos pontos fundamentais da visão de mundo da
psicologia ocidental: a visão de mundo linear e rigidamente causal, emprestada da física
clássica, de Newton e Descartes, aplicadas à Psicologia.
Jung via a psique como parte atuante do organismo e, portanto, extremamente sábia e
criativa, com uma interação complementar entre seus elementos, inclusive entre o
consciente e o inconsciente. Para ele, a concepção do inconsciente como um mero
depósito psicobiológico de tendências pulsionais ou instintivas rejeitadas ou
reprimidas era mais uma tentativa de acomodar um modelo conceitual de inconsciente aos
parâmetros de uma concepção de mundo mecanicista do que uma descrição acurada, ou
plenamente psicológica, do mesmo. Ele o via como tendo um importante papel no crescimento
integral do organismo, englobando até mesmo o pequeno ponto do ego consciente, de forma
sábia. Ou seja, o inconsciente era parte integrante e ativa do organismo, e este, em sua
globalidade, teria um racionalismo próprio, mais profundo, com (lembrando
Pascal) as suas razões que a própria razão desconhece. Em sua estrutura
mais profunda, ele ligaria o indivíduo a toda a humanidade, à natureza e a todo o
universo, como se fosse um tipo sofisticado de holograma. E mais, o inconsciente não
seria apenas governado pelo determinismo histórico, mas e nisto Jung era
antecipadamente um psicólogo humanista também teria uma função projetiva e
teleológica (Hall & Lindzey, 1984; Capra, 1986; Grof, 1988).
Jung não imaginava o ser humano como se fosse uma máquina biológica. Reconhecia que o processo de individuação [ maturação integral ] dos humanos pode transcender os estreitos limites do ego e do inconsciente pessoal e ligar-se ao Self, que é proporcional à humanidade toda e ao cosmos inteiro. Jung pode ser, então, considerado o primeiro representante da orientação transpessoal em Psicologia (Grof, 1988, p. 139).
É interessante observar que foi Jung o primeiro a usar a palavra Transpessoal (Hall &
Lindzey, 1984), e seus conceitos de sincronicidade e arquétipo têm não só chamado a
atenção de físicos teóricos, como Einstein, Pauli, Bohm e outros, como a de
psicólogos como Carl e Natalie Rogers, John K. Wood, Stanislav Grof e Pierre Weil
(Boainain Júnior, 1996; Grof, 1988; Weill, 1978). Foi o próprio Einstein quem encorajou
Jung a se aprofundar no conceito de sincronicidade, e Wolfgang Pauli publicou um artigo
conjunto com Jung sobre sincronicidade e sobre os arquétipos na obra do físico Johannes
Kepler (Grof, 1988, p. 146).
Segundo Walsh e Vaughan, nos níveis mais fundamentais e sensíveis da ciência
moderna, o quadro emergente da realidade lembra o quadro mais fundamental que as
disciplinas da consciência revelam (Walsh &Vaughan, 1991, p. 26). Isto posto,
já não nos parece mais concebível que a Psicologia Transpessoal ainda seja vista com
desconfiança por parte de muitos psicólogos brasileiros. Suas sólidas bases teóricas e
conceituais, amparada num leque transdisciplinar riquíssimo, a tem posto na vanguarda da
pesquisa da consciência. Nos Estados Unidos e Europa já existem instituições oficiais
de pesquisa na área, com cursos a nível de Mestrado e Doutorado. A Associação
Americana de Psicologia Transpessoal tem em suas fileiras nomes mundialmente reconhecidos,
como Daniel Goleman e Ken Wilber. No Brasil, nomes como Pierre Weil, Roberto Crema,
Márcia Tabone e Eliana Bertolucci se inscrevem definitivamente na história do movimento
transpessoal nacional, bem como a Associação Transpessoal da América do Sul ATAS
e a Associação Luso-Brasileira de Transpessoal.
Vários dos fenômenos transpessoais são largamente descritos na literatura junguiana e
humanista, este última, principalmente, nos últimos 25 anos, devido ao trabalho com
Grandes Grupos (Rogers, 1983; Boianain Júnior, 1996), e na literatura psiquiátrica não
faltam relatos que apontam para os níveis de transcendência da consciência a partir de
certos dados clínicos com o uso de medicamentos (Grof, 1988), e o acompanhamento com
pacientes graves ou em estado terminal revelam dimensões de percepção transcendente que
escapam ao enquadramento nas teorias da personalidade vigentes. O estudo e pesquisas
clínicas, na área médica, com biofeedeback e com a hipnose revelam sólidos argumentos
para algumas das proposições básicas da Psicologia Transpessoal (Fadiman & Frager,
1986; Grof, 1988), e os estudos de antropologia cultural e da religião demonstram que os
chamados fenômenos místicos, ou de êxtase, são encontrados em todos os povos em todos
os períodos da história, com semelhanças desconcertantes em termos de conteúdo e
relato (Jung, 1986; Grof, 1988; Gaarder, 1995).
Neste ponto é conveniente lembrar que a atitude da psiquiatria e da psicologia
tradicionais sobre religião e misticismo é determinada pela orientação mecanicista e
materialista da ciência ocidental. Num universo em que a matéria [ tal como é concebida
na visão clássica de mundo ] tem primazia, e a vida e consciência são seus produtos
acidentais, não pode haver um reconhecimento genuíno da dimensão espiritual da
existência (Grof, 1988, p. 242). É ainda Grof quem nos explica que sendo a
Psiquiatria clássica e a Psicologia acadêmica tradicional governadas por uma visão
mecanicista de mundo, são incapazes de fazer, por questão de referenciais teóricos
básicos, qualquer distinção significativa entre crendices e superficialidades
supersticiosas das grandes correntes filosóficas das maiores tradições religiosas da
humanidade (Grof, 1988). Dessa maneira, estas disciplinas, em suas ramificações mais
tradicionais, inclinam-se a descartar qualquer forma de espiritualidade como elementos
não científicos, mesmo que sejam extremamente refinados e tenham uma importância
fundamental na vida de bilhões de seres humanos. No contexto da Psiquiatria tradicional,
e da Psicanálise ortodoxa, a espiritualidade é equiparada a superstições
primitivas, falta de cultura ou psicopatologia clínica (Grof, 1988, p. 242). O
entendimento psicanalítico e psiquiátrico que se baseia na psicanálise - sobre
tais questões é muito conhecido:
(...) as origens da religião provêm de conflitos irresolutos da infância e da meninice: o conceito de deidade reflete a imagem infantil das figuras parentais; a atitude de seus seguidores é sinal de imaturidade e dependência infantil; as atividades rituais indicam uma luta com impulsos psicossexuais ameaçadores, comparável à de um neurótico compulsivo.
Algumas experiências espirituais diretas são encaradas como grosseiras distorções psicóticas da realidade e indicativas de sério processo patológico ou doença mental. Entre elas encontram-se sensações de unidade cósmica (...), visões de luzes de beleza sobrenatural, memórias de encarnações passadas ou encontros com personagens arquetípicos. Até a publicação da pesquisa de Maslow [ sobre as experiências de transcendência de pessoas consideradas as mais saudáveis ], a psicologia acadêmica não reconhecia nenhuma outra maneira de interpretar tais fenômenos. As teorias de Jung e Assagioli, apontando na mesma direção, distanciavam-se muito da corrente principal da psicologia acadêmica para que pudessem causar um impacto sério
(...) Os grandes xamãs de várias tradições aborígines foram descritos como esquizofrênicos ou epilépticos e alguns dos mais importantes santos, profetas e mestres religiosos receberam diversos rótulos psiquiátricos. (...). Esses critérios psiquiátricos são aplicados sem distinção, rotineiramente, mesmo a grandes mestres das religiões como Buda e Jesus (...) (Grof, 1988, pp. 242-243).
Naturalmente, embora o estudo da consciência, em geral, em todas as suas manifestações,
interesse à Psicologia Transpessoal, seu foco de interesse principal reside nestes
estranhos estados espirituais de percepção e consciência, entendidas como
potencialmente saudáveis pela abordagem transpessoal. Aliás, William James, ainda no
século passado, já dizia isso. Autores como Lawrence LeShan, Fritjof Capra, Pierre Weil,
Hernani Guimarães Andrade e muitos outros endossam esta perspectiva. O estranho
relacionamento de espaço, tempo e consciência parecem ter atingido quadros conceituais
análogos nas descrições de físicos modernos e místicos (Capra, 1985; Fadiman &
Frager, 1986). As mais recentes pesquisas sobre a consciência sugerem que a
natureza e a gênese da consciência podem ser mais realisticamente descritas por
místicos e físicos modernos do que pela mais estável concepção utilizada dentro da
psicologia contemporânea (Fadiman & Frager, 1986, p. 168).
A. Weil sugere fortes evidências de que os assim chamados estados
alterados são não só naturais como também necessários para o bem-estar e a
saúde continuada da pessoa. Ele acredita que a menos que tenhamos oportunidade de mudar
nosso estado de consciência, podem desenvolver-se sintomas emocionais graves. Ele vê o
impulso para alterar a percepção consciente tal como expressa no uso de exagerado
de drogas, bebedeiras públicas, práticas religiosas, o ligar-se a alguma coisa dos
adolescentes e a dança em êxtase como reflexo de um impulso fisiológico inato
que se origina da estrutura do cérebro. Da mesma forma que sabemos que há um impulso
para a experiência sexual, pode haver um impulso equivalente para a mudança de níveis
de percepção (Fadiman & Frager, 1986, p. 169). Maslow fala o mesmo, com
respeito às metamotivações.
De um modo geral, a gama de possibilidades de manifestação da consciência humana pode
ser entendida como em um espectro de padrões mais ou menos definidos, cujas
características marcantes parecem ter sido convenientemente estudas, cada um em sua
especificidade, pelas várias escolas (aparentemente antagônicas) da personalidade, quer
ocidentais, quer orientais.
Um dos sistemas didáticos, em psicologia, que procura integrar os diferentes insights das
várias escolas psicoterapêuticas do ocidente entre si, e estas com as várias abordagens
orientais, é a Psicologia do Espectro, proposta por Ken Wilber (Wilber, 1990), como um
modelo da compreensão transpessoal das diferenças entre psicoterapias. Nele, cada uma
das diferentes escolas é vista como uma faixa que se dedica a um aspecto específico do
total a que se pode apresentar a consciência humana. Cada uma dessas escolas aponta para
um estado de consciência que se caracteriza por possuir um diferente senso de identidade,
indo da pequena identidade restrita ao ego até à suprema identidade com todo o universo,
que é o nível extremo da consciência transpessoal. Este espectro pode ser entendido, a
grosso modo, a partir de quatro níveis: o do ego, o biossocial, o existencial e o
transpessoal.
No nível do ego, a pessoa não se identifica, a rigor, com o seu organismo, mas com uma
representação mental, ou com um conceito restrito do mesmo, como uma auto-imagem
construída. É, pois, um problema de identificação com um modelo que a pessoa aceita,
num investimento intelectual e emocional, como sendo seu "eu". Existe - para ela
um "eu" egóico que é diferente e independente de tudo e de todos. A
pessoa não se interessa muito em cultivar relações interpessoais sem que haja alguma
vantagem específica para o ego, e muito menos se preocupa ou leva em consideração
aspectos ecológicos ou sociais.
O nível biossocial já envolve a consciência e a preocupação com o nível e com os
aspectos do ambiente social da pessoa. A influência preponderante é a de padrões
culturais e sociais. A pessoa sente como fazendo parte - e tendo alguma responsabilidade -
pelo seu meio-ambiente social e natural. É nesta área que os alguns dos estágios de
desenvolvimento moral, tal como estudado por Kohlberg, atinge seu maior patamar em alguns
indivíduos.
O nível existencial é o nível do organismo total, caracterizado por um senso de
identidade corpo/mente auto-organizador. É o nível dos ideais humanistas e do despertar
ecológico, e do pensamento mais sofisticado, em termos de filosofia de vida. Emoção e
razão estão mais ou menos associadas para o crescimento e o desenvolvimento das
potencialidades do homem, desde que os meios sejam razoavelmente propícios. Quando não,
ainda assim a pessoa luta para se auto-atualizar e a ajudar seus semelhantes. Um alto grau
de desenvolvimento de consciência moral altruística é normalmente associado a alguns
indivíduos mais destacados associados a este estágio.
O nível transpessoal é o nível da expansão da consciência para além das fronteiras
do ego, correspondendo a um senso de indentidade mais amplo. Ele pode envolver
percepções do meio ambiente, onde tudo está - de uma forma sutil, mas muito presente -
ligado - de forma não necessariamente linear - a tudo. É o nível do inconsciente
coletivo e dos fenômenos que lhe estão associados, tal como descritos por Jung e
seguidores. É uma forma extremamente sofisticada e não ordinária de consciência em que
a pessoa não aceita mais a crença numa separação rígida entre ela e todo o universo,
a não ser como um modelo e uma forma de atuar, de forma prática, sobre o meio em que
vive com outras pessoas. Essa forma de consciência transcende, e muito, o raciocínio
lógico convencional, e aproxima-se das assim chamadas experiências místicas. É este um
pico de percepção em que, num sentido ecológico, nos fala Arne Ness:
O cuidado flui naturalmente se o eu é ampliado ou aprofundado de modo que a proteção da Natureza livre seja sentida e concebida como proteção de nós mesmos ... Assim como não precisamos de nenhuma moralidade vinda de um nível intelectual para nos fazermos respirar, do mesmo modo se o seu Eu, no sentido mais amplo desta palavra, abraça um outro ser, você não precisa de advertências morais ou linearmente intelectuais para demonstrar cuidado e afeição... você o faz por si mesmo, sem sentir nenhuma pressão moral para fazê-lo... Se a realidade é experimentada pelo Eu ecológico, nosso comportamento, de maneira natural e bela, segue espontaneamente as normas da ética ambientalista" (Capra, 1997, p.29).
É este estado de consciência holística que é objeto mais íntimo e aprofundado de
estudo da Psicologia Transpessoal. E não é sem sentido que alguns pensadores,
particularmente o filósofo Warwick Fox, tenha cunhado o termo Ecologia
Transpessoal para expressar uma conexão profunda entre a psicologia e a
consciência ecológica (Capra, 1997).
Como dissemos anteriormente, a psicoterapia transpessoal propriamente dita, baseada na
concepção de homem holístico próprio da Psicologia Transpessoal, visa como na
Psicologia Humanista facilitar o crescimento humano, em todas as suas
potencialidades, e, indo mais além, ajudar a expandir a consciência para além dos
limites estabelecidos na maioria dos modelos ocidentais mais tradicionais de saúde mental
(Walsh & Vaughan, 1991), desde que o cliente esteja caminhando para estas áreas
transcendentes de percepção da realidade. Como a Psicologia Transpessoal surgiu do
desenvolvimento da Psicologia Humanista e, posteriormente, atraiu a atenção de
psicólogos e psiquiatras de linha junguiana, muitas das técnicas próprias de ambas as
abordagens são largamente utilizadas na psicoterapia transpessoal. Além disso, como o
estudo Transpessoal inclui várias correntes filosóficas orientais, o terapeuta
transpessoal habilitado pode, igualmente, usar exercícios próprios de tradições
orientais, como a Yoga, a meditação e outros, que têm sua contrapartida ocidental em
teorias neo-reichianas ou outras de orientação psico-corporal.
Como o objetivo básico é ajudar o cliente a obter níveis ótimos de saúde e bem-estar
mental, atingindo-se mesmo certos patamares perceptuais que excedem o que costuma ser
aceito como normal, pode-se definir algumas metas básicas a serem trabalhadas no ambiente
clínico. A primeira, e a mais fundamental, é desenvolver a capacidade de assumir a
responsabilidade por si mesmo no mundo e nos relacionamentos pessoais (Walsh &
Vaughan, 1991, p. 204). Isso pode se construir à medida que a pessoa entende que é capaz
de experienciar toda uma gama de emoções de modo maduro ao mesmo tempo que começa a
estar menos apegada com rotulações sociais ou comportamentos que se restringem à
determinadas situações, sem identificar-se com estas ou acreditar que elas são medidas
valorativas do Eu, ou self, que é muito mais profundo que a pequena janela do
ego. Uma outra meta é a de possibilitar a cada pessoa o atendimento adequado de
necessidades físicas, emocionais, mentais e espirituais, segundo as preferências e
predisposições individuais. Assim, não se pode esperar que um mesmo caminho seja
apropriado a todas as pessoas. Na psicoterapia transpessoal, os impulsos direcionados ao
crescimento espiritual são considerados básicos para a humanização completa da pessoa.
Supõe-se que, além das necessidades básicas de sobrevivência de alimentação,
abrigo e relacionamento -, devem ser atendidas necessidades de ordem superior, ligadas à
auto-realização, para um pleno funcionamento em níveis ótimos de saúde (Walsh &
Vaughan, 1991, p. 204).
Estas metas são, em grande parte, similares aos objetivos psicoterapêuticos das
abordagens humanistas (principalmente a rogeriana) e junguianas. Em todas, o terapeuta
não cura uma enfermidade, mas ajuda o cliente a se capacitar para descobrir em si mesmo
os recursos interiores que permitam ao organismo entrar, da forma mais livre possível, no
fluxo natural de auto-cura e crescimento. O reconhecimento [ pelo cliente ] da
natureza subjetiva das suas crenças [ e identificações mentais ] e o submetê-las a um
exame mais acurado podem permitir ao cliente a saída de limitações e constrições da
percepção auto-impostas. À medida que as identificações parciais com visões
limitadas são descartadas ou transcendidas, o processo de cura de divisões psicológicas
imaginárias, de reintegração de partes rejeitadas da psique, de resoluções de
conflitos interiores pode ser acelerado (Walsh & Vaughan, 1991, p. 205). O
conteúdo da terapia transpessoal, e o seu processo, é determinado pelo cliente e pelo
material que ele traz, consistindo em todos os tipo de problemas, experiências e
preocupações. O terapeuta não insiste na ocorrência dos níveis transpessoais, mas
trabalha com o cliente dentro do enquadramento em que ele está em cada momento da
terapia. Embora reconhecendo o valor terapêutico da experiência transpessoal, chegar a
ela não é o alvo básico da terapia transpessoal em si. Elas podem ocorrer, e
freqüentemente ocorrem até mesmo em outras abordagens, e ai está a vantagem do processo
transpessoal, pois o terapeuta estará preparado para apoiar o cliente nestas dimensões
estranhas e maravilhosas, cuja principal conseqüência é facilitar na desidentificação
de papéis superficiais e de uma auto-imagem distorcida.
É interessante observar que o contexto terapêutico transpessoal pode ser catalisado
através do trabalho com Grandes Grupos. E foi exatamente ai que a temática transpessoal
passou a ser percebida em abordagens várias, porém principalmente na Abordagem Centrada
na Pessoa, de Carl Rogers (Boainain Júnior, 1996, p. 105). Vejamos o que nos diz Rogers a
este respeito:
Tenho a certeza que este tipo de fenômeno transcendente [ sincronicidade, telepatia, sentimentos de empatia extrema, apreensão da presença e ação de instâncias transpessoais específicas ] às vezes é vivido em alguns grupos com que tenho trabalhado, provocando mudanças na vida de alguns participantes. Um deles colocou de forma eloqüente: Acho que vivi uma experiência espiritual profunda, senti que havia uma comunhão espiritual no grupo. Respiramos juntos, sentimos juntos, e até falamos uns pelos outros. Senti o poder da força vital que anima cada um de nós, não importa o que isso seja. Senti sua presença sem as barreiras usuais do eu e do você foi como uma experiência de meditação, quando me sinto como um centro de consciência, como parte de uma consciência mais ampla, universal (Rogers, 1983, pp. 47-48).
O outro aspecto importante do processo de formação de comunidades [ Grande Grupos ] com que tenho tido contato é a sua transcendência e espiritualidade. Há alguns anos eu jamais empregaria estas palavras. Mas a extrema sabedoria do grupo, a presença de uma comunicação quase telepática, a sensação de que existe um algo mais, parecem exigir tais termos (Rogers, 1983, p. 62).
Tenho certeza de que nossas experiências terapêuticas e grupais lidam com o transcendente, o indescritível, o espiritual. Sou levado a crer que eu, como muitos outros, tenho subestimado a importância da dimensão espiritual ou mística (Rogers, 1983, p.53).
Portanto, nos parece que, pelo menos em parte, já ocorre, através da ACP e da Psicologia
Analítica Junguiana, no Brasil, um conjunto de psicoterapias de aspecto transpessoal. O
que parece agora ser necessário é o reconhecimento que muitos dos eventos transcendentes
que ocorrem nestas abordagens podem agora ser devidamente enquadrado num campo coerente e
mais desenvolvido para a pesquisa e o estudo destes fenômenos em si. Este campo, ou
abordagem, é a Psicologia Transpessoal.
Resumo:
Psicologia Transpessoal. Abordagem que tem como principal objetivo ampliar o campo
de pesquisa em psicologia para incluir certas áreas da experiência perceptual e do
comportamento humano, que estão associadas a um grau máximo de saúde e de bem-estar
subjetivos, com repercussões a níveis individuais e psicossociais.
Psicoterapia Transpessoal. - Trabalho terapêutico que objetiva facilitar o crescimento humano e a expandir desde que atingido e sedimentado um estado psicológico favorável - os limites de compreensão da realidade para além dos limites aceitos pelos principais modelos teóricos ocidentais sobre saúde mental.
Origens. Considerável gama de fenômenos clínicos envolvendo temas como expansão da percepção da consciência para além dos limites do ego passam a ser estudados a partir da década de 60. Fenômenos antes negligenciados como patológicos, passam a ser encarados como válidos. Desenvolvimento da Psicologia Humanista. Maslow, Sutich e Fadiman organizam a publicação do Journal of Transpersonal Psychology. Resgate das teorias de Carl Gustav Jung e Roberto Assagioli. Abertura aos sistemas psicológicos não-ocidentais, como Budismo e Taoísmo. Contribuições da Física Teórica sobre a percepção e da Antropologia ao estudo das várias manifestações culturais místicas.
O Estudo da Consciência Humana.- William James, Carl Jung, Carl Pribram, Stanilav Grof são alguns dos nomes mais conhecidos.
O Behaviorismo e a Psicanálise podem ser colocados
em um mesmo nível em relação à visão de homem, já que seus enfoques concordam
basicamente em que o ser humano é um reagente a estímulos ou a forças, quer de ordem
externa (Behaviorismo), quer de ordem interna (Psicanálise), cujo controle é pouco ou
nada exercido pela volição consciente. O Humanismo considera o homem como um ator
criativo. O paradigma Transpessoal considera todas estas dimensões válidas dentro da
gama de ação e complexidade do ser humano, mas também considera que existem,
potencialmente, outros estados de consciência, alguns supra-conscientes, cuja promoção
da saúde e do crescimento superariam a dos estados de vigília, sono, delírio e outros,
e dos estados derivados da análise das faixas infra-conscientes descobertas por Freud.
Aspectos complementares do desenvolvimento humano.- Tendência à autonomia individual e
tendência à integração sistêmica, psicossocial. Complementaridade entre o individual
e o social.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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1 Psicólogo clínico.